quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Uma semana sem (ti) Facebook!

Uma semana. Uma semana sem Facebook.

O desafio que já há algum tempo passava pela minha mente, momentaneamente, sem que lhe desse grande importância. ‘É só uma semana, e sabes quantos minutos, horas, irias ganhar?’ Perguntava eu, a mim.

Há uma semana disse-o em voz alta, a alguém, em brincadeira. Disse-o. Assumir o nosso pequeno vício social, torna-o real e ... relevante. Ao dizê-lo em voz alta tornou-se claro que era um problema.

‘É só uma rede social, uma ferramenta de trabalho, uma forma de comunicação’, pensei eu, ‘Porque será que sinto que preciso estar longe?”

Ainda sem data de início definida pensei nas razões pelas quais precisava de respirar:

·      Ia entrar de férias, quantas horas iria gastar no Facebook?

·      Haviam vários volumes de revistas e livros por terminar espalhados pela casa, nunca tinha tempo para eles, mas para o Facebook...

·      Com o Natal à porta, as ameaças de mais uma época de fotos de família perfeita(s) aproximavam-se rapidamente. Será que queria passar o Natal com a minha ou rodeado de falsos retratos na casa dos outros?

·      O Facebook tornou-se um falso amigo presente de muita gente. Em vez de falar, estar junto, enviamos um like e ficamos de consciência tranquila por marcarmos presença na vida de alguém

·      Porque será que sinto que se alguém me enviar uma mensagem, uma identificação, um comentário, eu sou obrigada a responder em x minutos? Estar disponível para o mundo 24/7? Prisioneira da liberdade.


Estava fechado. O desafio ia começar não um dia destes mas naquele mesmo dia. Não antes da meia-noite mas, a uma hora qualquer, naquele instante.

Depois de meia-dúzia de mensagens para algumas pessoas mais presentes, desativei a minha conta imediatamente.

Não foi fácil tenho a dizer, com tantos avisos de “Tem a certeza” e ainda fotos dissuasoras onde vi a foto dos meus amigos acompanhada da mensagem “Os seus amigos vão sentir a tua falta.



Verdade ou não, não demorou muito até receber as primeiras reações. Entre muitos “Então, mas passa-se alguma coisa?”, “O que te aconteceu?”, “Mas porquê?”, veio o mítico... “Vou sentir a tua falta!”.

Afinal o Facebook tinha razão ;)
Apagar o Facebook implicou não só desativar a conta durante 7 dias (que podes programar diretamente nas configurações do Facebook), como também apagar as aplicações do telemóvel (Facebook e Messenger).

Na primeira noite, adormecer foi... aborrecido.

Tenho de admitir que o pior foram os primeiros dois dias. Cada vez que parava 2 segundos nalgum lado lá ia eu ao sítio onde estaria a app e onde encontrava o jogo do Super Mario, estrategicamente colocado no mesmo sítio.

Após o terceiro dia. Já nem te lembras. Ficas magicamente livre de uma teia de conversas, fotos, pensamentos, mal-entendidos, intrigas, queixas e má-disposição.

Li parte do que ficou para trás. Fui passear. Estive com pessoas e vi filmes e séries pendentes.

O teu dia torna-se mais leve. Mais cheio de tempo. Começas a ouvir as pessoas com quem estás de uma forma diferente, estás mais presente em cada momento. Pensas mais nas coisas à tua volta e menos nas coisas que se passam online. Onde ninguém realmente vive.

Senti-me feliz quando ouvi (em várias ocasiões) “Não sabes? Mas eu pus no Facebook”. Cada vez que isso aconteceu, tenho a certeza que dei muito mais importância à novidade pessoal ou profissional que essa pessoa me contou do que caso tivesse visto no Facebook.

Foi uma experiência social, sim. Hoje, sem me aperceber completei uma semana. O dia em que a conta voltou. Em que o meu perfil magicamente reapareceu. Reparei nisso em conversa, a meio da manhã.

Sei que não posso continuar este jejum social para sempre, até porque parte do meu trabalho no dia-a-dia passa por utilizar o Facebook como ferramenta profissional. Mas ficam algumas coisas:

·      Não, ainda não vou voltar para o Facebook. Por isso, não falem comigo ou tentem enviar gifs engraçados que não vou ver.

·      Mesmo quando voltar, não me esperem ver muito por lá. Descobri toda uma nova vida de me relacionar com as pessoas de quem gosto. Posso inclusivamente ligar-lhes ou estar com elas pessoalmente, quem diria!

·      A felicidade, isto é, libertação de endorfinas, dopaminas e essas amigas todas, ocorre em situações muito reais, muito físicas, muito pessoais. Apesar de saberes muito sobre mim... Para ser feliz, não preciso de ti Facebook.


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